Entendendo o Brasil

■ Fechamento das contas jan–ago/2026

O que entrou, o que saiu e quanto faltou. Agosto é o último mês publicado pelo Tesouro e pelo Banco Central (setembro ainda não saiu em 25/10/2026).

Atualizado em 25/10/2026 · Tesouro Nacional e Banco Central

Fechamento: déficit nominal (com juros) jan–ago/2026 · Governo Central (União, Previdência e Banco Central)

Faltaram R$ 809,3 bi 9,0% do PIB
Déficit primário
−R$ 94,9 bi
1,1% do PIB
−
Juros da dívida
R$ 714,4 bi
7,9% do PIB
=
Déficit nominal (com juros)
−R$ 809,3 bi
9,0% do PIB
Tesouro Nacional, RTN ago/2026 (resultado primário) · Banco Central SGS 4606 (juros da dívida, Governo Federal e Banco Central), soma jan–ago/2026 · PIB jan–ago: SGS 4380 · consulta 25/10/2026

💰 No seu bolso

Fechar as contas do país é como fechar o mês em casa: o que entrou, o que saiu e quanto faltou. A diferença é que aqui a fatura dos juros é enorme.

Faltou antes dos juros

R$ 94,9 bi

A receita líquida (R$ 1.669,7 bi) não cobriu a despesa sem juros (R$ 1.764,6 bi) entre janeiro e agosto de 2026.

🛒 Na prática: mais dinheiro do governo na economia do que sai em impostos pressiona preços. A carne subiu 9,83% em 12 meses, contra 4,58% da inflação geral.

Fonte: Tesouro Nacional, RTN ago/2026 (Governo Central, jan–ago/2026); IBGE, IPCA set/2026 (12 meses), SIDRA tabela 7060

Com os juros, o buraco cresce

R$ 809,3 bi

Somando os juros da dívida (R$ 714,4 bi), o déficit nominal chega a R$ 809,3 bi, 9,0% do PIB. Esse valor vira dívida nova.

💳 Na prática: é como pagar o mínimo do cartão todo mês: a fatura seguinte vem maior.

Fonte: Tesouro RTN ago/2026; Banco Central SGS 4606

Onde o gasto mais cresceu

+R$ 29,3 bi

Acima da inflação, os benefícios da Previdência cresceram R$ 29,3 bi (+3,9%) em jan–ago/2026 contra o mesmo período de 2025. Os juros da dívida cresceram R$ 162,1 bi (+29,1%).

👵 Na prática: a população envelhece e mais pessoas se aposentam. Esse é um gasto garantido por lei, e por isso difícil de ajustar no curto prazo.

Fonte: Tesouro RTN ago/2026, a preços de ago/2026; Banco Central SGS 4606 corrigido pelo IPCA

A conta de luz pesou em setembro

+7,98%

Em setembro de 2026, a energia elétrica residencial subiu 7,98% no mês e foi o item que mais pesou no IPCA (0,32 ponto), com o fim do bônus de Itaipu e a bandeira amarela.

🏠 Na prática: compare a sua conta de luz de setembro com a de agosto. Se ela pesa muito no seu orçamento, a sua inflação pode estar acima da média do país.

Fonte: IBGE, IPCA set/2026 (variação no mês)

🧾 Sua inflação é só sua

O IPCA é uma média do país. Mas a sua casa tem a sua própria lista: o mercado, a conta de luz, o aluguel, o botijão de gás. Por isso, cada pessoa tem a sua inflação. Que tal descobrir a sua?

1. Anote o que você pagava há 12 meses.
2. Anote o que você paga hoje.
3. Divida o valor de hoje pelo de antes e veja quanto subiu.

Exemplo (números ilustrativos): o botijão custava R$ 100 e hoje custa R$ 108.

Hoje
R$ 108
÷
Há 12 meses
R$ 100
=
Resultado
1,08
→
Subiu
+8%

Faça o mesmo com a sua lista e você vai enxergar onde o seu dinheiro está apertando.

✅ Com esses números, você entende por que o crédito está caro e pode planejar melhor o orçamento da sua casa.

Como fecha a conta · Governo Central · jan–ago/2026

▲ Entrou (receita líquida)
R$ 1.669,7 bi
já descontado o que vai para estados e municípios
−
▼ Saiu (despesa sem juros)
R$ 1.764,6 bi
aposentadorias, salários, saúde, educação…
=
■ Faltou (déficit primário)
−R$ 94,9 bi
1,1% do PIB
−
■ Juros da dívida
R$ 714,4 bi
cobertos com dívida nova
=
■ Faltaram (déficit nominal)
−R$ 809,3 bi
9,0% do PIB
Os juros da dívida são a 2ª maior despesa, atrás só da Previdência (R$ 773,9 bi, a preços de ago/2026).
Juros da dívida: Banco Central SGS 4606. Tesouro Nacional, Resultado do Tesouro Nacional ago/2026 (PDF), conferido em 25/10/2026. Valores correntes. Governo Central = Tesouro, Previdência (INSS) e Banco Central.

🔒 No plano de assinante: juros e déficit em 12 meses e mês a mês

Série de 12 meses (Banco Central) e o detalhe de cada mês ficam na área do assinante.

Onde a despesa mais cresceu (jan–ago/2026 x jan–ago/2025, acima da inflação)

Benefícios da Previdência+R$ 29,3 bi · +3,9%
Pessoal e encargos+R$ 15,0 bi · +5,5%
Créditos extraordinários+R$ 10,6 bi · +283,5%
BPC (LOAS/RMV)+R$ 4,0 bi · +4,5%
Fundeb (complementação da União)+R$ 3,4 bi · +8,0%
Abono e seguro-desemprego+R$ 3,1 bi · +4,3%
Discricionárias do Executivo (o governo escolhe)+R$ 35,8 bi · +31,8%
Caíram: subsídios e Proagro / apoio a estados e municípios−R$ 3,1 bi · −R$ 3,3 bi
Despesa total sem juros+R$ 96,3 bi · +5,7%
Juros da dívida+R$ 162,1 bi · +29,1%
Despesa total com juros+R$ 258,4 bi · +11,6%
Tesouro Nacional, Resultado do Tesouro Nacional ago/2026 (PDF), conferido em 25/10/2026. Crescimento real, a preços de ago/2026 (IPCA). Juros da dívida: Banco Central SGS 4606 (Governo Federal e Banco Central), soma jan–ago de cada ano, cada mês corrigido pelo IPCA (SGS 433) até ago/2026: R$ 556,4 bi (2025) → R$ 718,5 bi (2026). Com juros = despesa total do RTN + juros do BC (fontes diferentes).
Professor Tucano explica: o resultado primário é a conta do mês sem os juros: se faltou, o governo gastou mais do que arrecadou. O déficit nominal (com juros) soma os juros da dívida. De janeiro a agosto, no Governo Central, faltaram R$ 94,9 bi antes dos juros e, com os juros, R$ 809,3 bi — por isso a dívida continua crescendo.

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